O Novo Normal
- marciarodr
- 22 de fev. de 2021
- 2 min de leitura
Se tem um lugar que eu amo, é o jardim do Museu Imperial em Petrópolis. O Museu estava fechado desde março do ano passado e me dava uma tristeza sempre que passava em frente via aquele portão trancado e os jardins vazios... Semana passada ele enfim reabriu, claro que no meu imaginário estaria super cheio na primeira semana, um lugar tão especial, todos estariam ansiosos para visitar!
Como em tempos de pandemia não podemos vacilar, aguardei uma semana para a tão aguardada visita. Sábado, as 10h da manhã, lá estava eu cruzando o tal portão agora aberto, com o Kindle na bolsa já sonhando com o meu banco preferido para leitura, embaixo de uma das árvores.
Foi nesse momento que percebi que as coisas estavam diferentes, eu não poderia entrar por onde estava acostumada e não poderia fazer o passeio da maneira que eu quisesse, teria que obedecer a sinalização, e só poderia circular por onde era permitido. Meu banco predileto? Só pude olhar de longe, a estatua do D. Pedro II também estava numa área bloqueada, então nada de fotos.
Comecei a pensar como será o mundo pós pandemia. O nosso “Livre arbítrio” será livre mesmo, ou será que por conta da maneira que o usamos, ele não está sendo um pouco tensionado? Será que não somos muito mais sujeitos ao determinismo do que a completa liberdade de escolha?
Podemos mesmo fazer as escolhas que queremos? Temos o emprego que nos faz feliz? Se tivéssemos opções, teríamos um relacionamento com esta mesma pessoa que nos relacionamos hoje? Moraríamos nessa mesma casa, nesse bairro, cidade ou país? Agora se tentarmos fazer diferente, quebrar esse direcionamento, teremos tranquilidade ou funcionaria? Ou é melhor que busquemos um caminho mais suave dentro das possibilidades que temos?
Eu chamo isso de resignação dinâmica; quando sigo o fluxo da vida com atenção, usando os meus talentos, burilando meus defeitos e assumindo minhas responsabilidades, aprendo e supero os desafios.
Devemos observar quais são os dons e os talentos que trazemos, quais são as energias que nos cercam, e o que viemos aprender. Detalhes não temos como saber, mas linhas gerais conseguimos saber sim e tem muita informação disponível para nos orientar.
Voltando ao passeio, segui as trilhas impostas, fui a trechos que não conhecia, já que costumava a limitar as visitas as áreas que gostava e conhecia, continuei a leitura em casa e fiquei muito feliz de reencontrar um querido velho conhecido, consegui matar as saudades, ainda que não pudesse sentir o perfume das árvores ou o cheiro do chão úmido.
Tenho a certeza de que nada será como antes, teremos que fazer adaptações, algumas mudanças serão incorporadas a nossa rotina, e é assim mesmo, tudo muda, e muda o tempo todo, e qual é o problema, não é mesmo?

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